
O par GBP/USD perde força e se aproxima de 1,3405, interrompendo uma sequência de quatro dias de alta no início das negociações asiáticas desta terça-feira. Os mercados podem adotar uma postura cautelosa diante de uma semana repleta de catalisadores, incluindo as eleições de meio de mandato nos EUA, a decisão de juros do Banco da Inglaterra (BoE) e os dados de emprego dos EUA referentes a setembro.

As eleições de meio de mandato nos EUA aumentam a possibilidade de que o foco mais amplo dos mercados volte às preocupações com a inflação e o déficit. Os operadores avaliarão como os resultados eleitorais moldarão as perspectivas do mercado. As projeções atuais apontam para uma vitória dos democratas na Câmara, enquanto o controle do Senado permanece mais incerto.
Economistas da Reuters avaliam que, se os democratas conquistarem o controle da Câmara e do Senado, os investidores anteveem uma regulamentação e uma supervisão mais rigorosas da inteligência artificial (IA), o que pode pressionar os mercados financeiros.
Se os democratas conquistarem a Câmara e os republicanos mantiverem o controle do Senado, o impacto sobre as perspectivas fiscais dos EUA provavelmente será misto. Por outro lado, se os republicanos conquistarem ambas as casas, os investidores esperam que o governo possa implementar novas reformas tributárias ou aumentar os gastos com defesa, potencialmente ampliando o já expressivo déficit orçamentário do país.
Economistas consultados pela Reuters esperam que o BoE eleve a taxa básica de juros de 3,75% para 4,0% em sua reunião de política monetária de novembro, na quinta-feira. Essa seria a primeira alta desde agosto de 2023, quando a inflação ainda estava acima da meta de 2% do BoE. Os operadores acompanharão de perto a coletiva de imprensa em busca de mais sinais sobre as perspectivas dos juros no Reino Unido. Eventuais comentários favoráveis ao aperto monetário por parte do presidente do BoE, Andrew Bailey, podem oferecer algum suporte à libra esterlina (GBP) frente ao dólar americano (USD).
Estrategistas do Brown Brothers Harriman observam que há ampla expectativa de que a próxima decisão de política monetária do Banco da Inglaterra e seu Relatório de Política Monetária, na quinta-feira, marquem o início de uma nova fase de aperto. Segundo eles, “a expectativa predominante é de que o BoE comece o aperto com uma alta de 25 pontos-base, para 4,00%, após manter os juros inalterados durante todo o ano”. Eles destacam que “a inflação e a atividade econômica mais fortes no Reino Unido sustentam a medida” e preveem uma “divisão dos votos… de 7 a 2, com Alan Taylor e Swati Dhingra, favoráveis a uma política mais expansionista, defendendo a manutenção dos juros”.
No entanto, o BBH alerta que “a sinalização do BoE e a atualização do Relatório de Política Monetária colocarão à prova as expectativas do mercado de um aperto de 100 pontos-base nos próximos doze meses”. Na avaliação dos estrategistas, “a persistência de capacidade ociosa ao longo do horizonte das projeções reforçaria os argumentos para retirar altas de juros da precificação e limitaria a valorização da GBP”. Isso sugere que, embora a medida inicial possa favorecer a libra, a mensagem mais ampla sobre a política monetária pode moderar as projeções mais agressivas do mercado para a trajetória dos juros.
Logan, do Fed, transmite uma mensagem claramente favorável ao aperto monetário, com uma pontuação de 8/10 no FXS Speechtracker, ligeiramente acima da média histórica de 7,7/10 e indicando uma postura mais restritiva em relação ao padrão estabelecido. A insistência de que o Fed “precisa de pelo menos mais duas altas de juros de um quarto de ponto percentual” e de que uma pausa em uma reunião não altera o destino da política monetária, combinada com o crescimento forte, o consumo sólido e um mercado de trabalho entre equilibrado e mais apertado, ressalta o compromisso de tornar a política “moderadamente restritiva” até que a inflação esteja claramente voltando a 2%. A ênfase no ajuste gradual e na comunicação clara sugere uma preferência por um aperto constante, que permita a adaptação de famílias, empresas e investidores, reforçando um cenário favorável ao dólar.
O FXS Fed Sentiment Index subiu 0,95 ponto, para 143,62, permanecendo firmemente em território favorável ao aperto monetário e em linha com a pontuação acima do padrão no FXS Speechtracker. Essa alta do FXS Fed Sentiment Index confirma que os mercados interpretam as declarações de Logan como um sinal de que ainda há trabalho a fazer na política monetária, um cenário que normalmente sustenta o dólar frente ao euro e ao iene.
No gráfico diário, o GBP/USD mantém um viés de alta no curto prazo, com a cotação à vista acima tanto da linha central das Bandas de Bollinger de 20 períodos quanto da média móvel simples (MMS) de 100 dias. A cotação avança pela metade superior do canal das Bandas de Bollinger, enquanto o Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos, em torno de 58, sugere um impulso favorável, mas sem sobrecompra. Isso indica que os compradores mantêm o controle enquanto o par permanecer acima dos principais suportes das médias móveis.
Na trajetória de alta, a resistência imediata coincide com a banda superior de Bollinger, perto de 1,3465, onde os ganhos podem perder força ou dar lugar a uma correção se a pressão compradora diminuir. Na trajetória de baixa, o suporte inicial está na MMS de 100 dias, em torno de 1,3385, seguido pela linha central das Bandas de Bollinger, perto de 1,3318. Um recuo mais acentuado provavelmente seria contido antes da banda inferior de Bollinger, em torno de 1,3175.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
A libra esterlina (GBP) é a moeda mais antiga do mundo (886 d.C.) e a moeda oficial do Reino Unido. É a quarta moeda mais negociada no mercado de câmbio (FX) mundial, representando 12% de todas as transações, com uma média de US$ 630 bilhões por dia, segundo dados de 2022. Seus principais pares de negociação são GBP/USD, também conhecido como “Cable”, que responde por 11% das negociações cambiais; GBP/JPY, ou “Dragão”, como é conhecido pelos operadores (3%); e EUR/GBP (2%). A libra esterlina é emitida pelo Banco da Inglaterra (BoE).
O principal fator que influencia o valor da libra esterlina é a política monetária definida pelo Banco da Inglaterra. O BoE baseia suas decisões no cumprimento de seu objetivo central de “estabilidade de preços”, ou seja, uma taxa de inflação estável em torno de 2%. Seu principal instrumento para alcançar esse objetivo é o ajuste das taxas de juros. Quando a inflação está muito alta, o BoE tenta contê-la elevando os juros, o que torna o crédito mais caro para pessoas e empresas. Isso geralmente favorece a GBP, pois juros mais altos tornam o Reino Unido mais atraente para os investidores globais aplicarem seus recursos. Quando a inflação cai demais, é um sinal de desaceleração do crescimento econômico. Nesse cenário, o BoE considera reduzir os juros para baratear o crédito, de modo que as empresas tomem mais empréstimos para investir em projetos que gerem crescimento.
Os dados divulgados permitem avaliar a saúde da economia e podem afetar o valor da libra esterlina. Indicadores como o PIB, os índices de gerentes de compras (PMIs) da indústria e dos serviços e os dados de emprego podem influenciar a direção da GBP. Uma economia forte favorece a libra esterlina. Além de atrair mais investimento estrangeiro, pode incentivar o BoE a elevar os juros, o que fortalece diretamente a GBP. Por outro lado, se os dados econômicos forem fracos, a libra esterlina provavelmente se desvalorizará.
Outra divulgação relevante para a libra esterlina é a balança comercial. Esse indicador mede a diferença entre o que um país recebe com suas exportações e o que gasta com importações em determinado período. Se um país produz bens de exportação muito procurados, sua moeda se beneficia da demanda adicional gerada pelos compradores estrangeiros interessados nesses produtos. Portanto, um saldo comercial positivo fortalece a moeda, enquanto um saldo negativo tem o efeito contrário.