
O peso mexicano (MXN) perde terreno frente ao dólar americano (USD) nesta terça-feira, em meio ao desenrolar das eleições de meio de mandato nos EUA, com os investidores adotando cautela enquanto aguardam os resultados e a definição da composição do Congresso americano. O USD/MXN é negociado a 18,84, em alta de mais de 1,40%.

O clima nos mercados é positivo, com Wall Street a caminho de encerrar a sessão em alta. No mercado cambial, o dólar se valoriza frente às moedas de países emergentes, incluindo o peso mexicano.
O Índice do Dólar Americano (DXY), que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas, reverteu as perdas anteriores e registra uma modesta alta de 0,05%, para 101,85. As tensões no Oriente Médio, seu impacto sobre os preços da energia e a incerteza quanto ao resultado das eleições de meio de mandato nos EUA pressionam a moeda mexicana.
Dados do México mostraram uma contração da atividade no setor industrial. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria da S&P Global recuou de 50,3 para 49,5 em setembro. As empresas atribuíram a queda na produção a “dificuldades de fluxo de caixa, pressões inflacionárias, escassez de matérias-primas e vendas fracas”.
O Banco do México (Banxico) divulgou sua pesquisa com economistas do setor privado, na qual o banco central afirmou esperar que a inflação permaneça dentro de sua faixa de 3%, com tolerância de um ponto percentual para cima ou para baixo. Além disso, os analistas projetam um crescimento econômico inferior à previsão do governo de expansão de 2% do PIB neste ano e no próximo, e esperam que o Banxico mantenha os juros inalterados até o fim de 2027
Nos EUA, o número de vagas de emprego em aberto na Pesquisa de Ofertas de Emprego e Rotatividade de Mão de Obra (JOLTS) de setembro subiu de 7,19 milhões para 7,5 milhões, um avanço de 4,5% em relação ao mês anterior, enquanto o crescimento mensal das encomendas à indústria acelerou de 0,3% para 1,8% em setembro, informou o Departamento do Censo dos EUA.
Os operadores de USD/MXN acompanham as eleições de meio de mandato nos EUA. A Polymarket atribui aos democratas uma probabilidade de 75% de conquistar o Senado e de 96% de controlar a Câmara dos Representantes.
No gráfico diário, o USD/MXN é negociado a 18,8383 e mantém um viés de alta no curto prazo, com a cotação à vista bem acima da região de convergência das três médias móveis simples, cuja leitura mais recente está próxima de 17,82, reforçando a tendência de alta predominante. O par também permanece confortavelmente acima do suporte horizontal em 16,89, enquanto o Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos, em torno de 65, sugere um impulso de alta firme, mas não extremo, após arrefecer em relação às condições anteriores de sobrecompra.
Na direção de baixa, o suporte inicial está no fechamento mais recente, em torno de 18,84, seguido pela região das médias móveis simples de 50, 100 e 200 dias, próxima de 17,82, antes de um piso estrutural mais distante na linha horizontal de 16,89. Na direção de alta, o movimento mais amplo de valorização enfrentaria uma importante barreira técnica na linha de tendência de resistência descendente, atualmente projetada em torno de 21,08.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
O peso mexicano (MXN) é a moeda mais negociada entre as divisas latino-americanas. Seu valor é determinado, em grande parte, pelo desempenho da economia mexicana, pela política do banco central do país, pelo volume de investimento estrangeiro no México e até pelos níveis de remessas enviadas por mexicanos que vivem no exterior, sobretudo nos Estados Unidos. Tendências geopolíticas também podem movimentar o MXN: por exemplo, o processo de nearshoring – ou a decisão de algumas empresas de transferir sua capacidade de produção e suas cadeias de suprimentos para locais mais próximos de seus países de origem – também é visto como um catalisador para a moeda mexicana, já que o país é considerado um importante polo industrial do continente americano. Outro catalisador para o MXN são os preços do petróleo, pois o México é um importante exportador da commodity.
O principal objetivo do banco central do México, também conhecido como Banxico, é manter a inflação em níveis baixos e estáveis, na meta de 3% ou próxima dela, que corresponde ao ponto médio de uma faixa de tolerância entre 2% e 4%. Para isso, o banco estabelece um nível adequado para as taxas de juros. Quando a inflação está muito alta, o Banxico tenta contê-la elevando os juros, o que encarece os empréstimos para famílias e empresas e, assim, esfria a demanda e a economia como um todo. Taxas de juros mais altas geralmente favorecem o peso mexicano (MXN), pois proporcionam retornos maiores, tornando o país mais atraente para os investidores. Por outro lado, taxas de juros mais baixas tendem a enfraquecer o MXN.
A divulgação de dados macroeconômicos é fundamental para avaliar a situação da economia e pode afetar a cotação do peso mexicano (MXN). Uma economia mexicana forte, caracterizada por crescimento econômico elevado, desemprego baixo e confiança alta, favorece o MXN. Além de atrair mais investimento estrangeiro, esse cenário pode incentivar o Banco do México (Banxico) a elevar os juros, sobretudo se essa força vier acompanhada de inflação elevada. No entanto, se os dados econômicos forem fracos, é provável que o MXN se desvalorize.
Por ser uma moeda de mercado emergente, o peso mexicano (MXN) tende a se valorizar em períodos de maior apetite por risco, ou seja, quando os investidores consideram que os riscos nos mercados em geral são baixos e, por isso, se mostram dispostos a realizar investimentos mais arriscados. Por outro lado, o MXN tende a se enfraquecer em momentos de turbulência nos mercados ou de incerteza econômica, pois os investidores costumam vender ativos de maior risco e buscar refúgios mais estáveis.